Tendo saúde mental como foco de seu mandato, a psicóloga Tanise Sabino se propôs a visitar todos os 15 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS ) de Porto Alegre com o objetivo de ouvir os profissionais, conhecer a estrutura de trabalho, os desafios enfrentados e, a partir disso, construir formas de apoio e fortalecer o trabalho realizado nesses centros. Assim, no dia 3 de abril ela esteve no CAPS Infantil Pandorga, localizado na Zona Norte.
Atualmente o CAPSi Pandorga atende 210 pacientes, entre crianças e adolescentes e conta com uma equipe de três psicólogos, um pediatra, dois assistentes sociais, um psicopedagogo, um nutricionista, um fonoaudiólogo, um terapeuta ocupacional, três psiquiatras, uma arte terapeuta e uma educador físico, além de muitos residentes de psiquiatria. De acordo com a equipe, a faixa etária atendida, muda de tempos em tempos. Hoje 60% está acima dos 14 anos mas, infelizmente o aumento de casos de pacientes com ideação suicida e automutilação é crescente.
De acordo com o arte terapeuta Rogério um dos diferenciais do CAPSi Pandorga – administrado pelo Grupo Hospitalar Conceição é a interação com a comunidade: “Aqui foi formado um conselho local de saúde, o primeiro oriundo de caps. Na pratica é uma possibilidade de ter familiares participando do planejamento das atividades efetivamente. Isso é muito benéfico para o processo terapêutico” – conclui.
Em sua visita, a psicóloga se mostrou preocupada com a situação da infraestrutura do local, que funciona em uma casa alugada e apresenta diversos problemas, como falta de climatização adequada, fiação elétrica precária e acessibilidade inadequada. A equipe relatou que a situação se arrasta há 14 anos, com promessas de melhorias que não se concretizam.
Outro ponto destacado foi a dificuldade em obter recursos para a compra de materiais e equipamentos. A equipe do CAPS I Pandorga depende de doações para conseguir adquirir itens básicos para o funcionamento do centro.
A psicóloga Tanise Sabino também se mostrou preocupada com a falta de psicólogos nas unidades básicas de saúde, o que sobrecarrega os CAPS com encaminhamentos de casos que poderiam ser resolvidos na atenção primária.
“É preciso fortalecer a saúde mental na atenção primária, com a presença de psicólogos nas unidades básicas, para que os casos mais leves sejam atendidos e os CAPS possam se dedicar aos casos mais complexos”, expressou Tanise diante do relato dos profissionais deste CAPS.


