Na manhã de 28 de agosto, a vereadora psicóloga Tanise Sabino (MDB) esteve no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS), conhecido como Postão da Cruzeiro, para dialogar com a equipe local sobre os impactos do possível fechamento da emergência em saúde mental. A parlamentar foi recebida pela gestora da unidade, a dentista Liliane Hilgert, pelo médico psiquiatra Thiago Freire e pela servidora Denise Mozaquatro.
Durante a visita, os profissionais relataram preocupação com a medida, destacando que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) não funcionam em regime de emergência, tampouco têm estrutura para absorver superlotações, realidade enfrentada diariamente no PACS e no IAPI. “O PACS aqui da Cruzeiro tem 25 anos. No início, contava com uma equipe multiprofissional formada por psicólogo, assistente social, enfermeiro e médico psiquiatra. Hoje, com as aposentadorias dos servidores, restam apenas médico psiquiatra e enfermeiro”, explicou o psiquiatra Thiago Freire, ressaltando a necessidade de investimentos na qualificação dos prontos atendimentos.
A servidora Denise Mozaquatro enfatizou que a unidade é referência para outras áreas estratégicas do município: “O PACS é referência inclusive para a Secretaria de Segurança Pública e para a FASE. Seu fechamento deixaria uma lacuna na rede de atendimento.”
Já a gestora Liliane Hilgert destacou que a grande maioria dos usuários atendidos são moradores da capital: “Menos de 5% dos atendimentos são de pacientes de outros municípios. Ou seja, 95% do público é de Porto Alegre. Isso mostra o quanto o PACS é essencial para nossa cidade.”
Outro ponto levantado pelos servidores foi a preocupação com pacientes em situação de crise, muitas vezes agitados, agressivos ou em risco de suicídio. “Como esses casos seriam atendidos em um CAPS, se o modelo é de porta aberta? Existe risco de fuga, de agravamento do quadro e de desassistência”, alertaram.
Ao final do encontro, a vereadora Tanise Sabino destacou que a pauta será levada à Câmara Municipal: “Os relatos que ouvi aqui confirmam o que já vínhamos debatendo: não há como substituir o atendimento emergencial dos prontos atendimentos apenas com CAPS. O fechamento seria um retrocesso, que colocaria em risco vidas e a segurança da própria rede. Vou seguir cobrando esclarecimentos da Secretaria de Saúde para que possamos defender a vida e a saúde mental da população de Porto Alegre. Já protocolei um pedido de providência, um pedido de informação e ontem em plenário protocolamos um requerimento para o Secretário da Saúde comparecer em plenário na Câmara de Vereadores para debatermos esse assunto.”


