Nesta terça-feira (9/9), a Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara Municipal de Porto Alegre abordou as políticas públicas para enlutados por suicídio. A reunião foi proposta e conduzida pelo vereador Marcelo Bernardi (PSDB), que ressaltou a importância de um atendimento rápido e acolhedor. “Que o serviço público esteja preparado, com capacidade em oferecer esse trabalho para os familiares e pessoas próximas, além de um encaminhamento rápido, em que as famílias se sintam seguras e acolhidas”, frisou.
A Vereadora Psicóloga Tanise Sabino, que integra a Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam), mas que foi convidada pelo vereador Marcelo Bernardi, devido ao seu trabalho que vem realizando ao longo dos anos em prol da prevenção ao suicídio, também esteve presente na comissão. Durante sua manifestação, a vereadora Tanise ressaltou que o debate precisa ir além da conscientização simbólica. “Estamos no mês de setembro, mês dedicado à prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental. Amanhã, 10 de setembro, é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, uma data que deve ser marcada por conscientização, e não por celebração. Precisamos falar sobre saúde mental de forma responsável, entendendo como está a nossa sociedade, como podemos criar filhos emocionalmente saudáveis e de que forma a comunicação, inclusive a não verbal, influencia no cuidado com a vida. A prevenção passa por informação, por rede de apoio e por políticas públicas efetivas”, destacou.
Samantha Sittart, psicóloga clínica, ressaltou o preconceito e o estigma enfrentados pelas famílias na busca por atendimento e suporte médico.“O luto por suicídio é marcado por dor, estigmas e preconceitos. Muitas vezes, quem passa por uma perda decorrente do suicídio se depara com o atendimento desumanizado e despreparado dos órgãos públicos.” Ela também destacou o projeto de lei, em parceria com o gabinete do vereador Marcelo Bernardi, que prevê atendimento a amigos e familiares de enlutados pelo suicídio no sistema público de saúde. “Precisamos de política pública de acolhimento contínuo, que prepare os profissionais da polícia, SAMU, peritos, médicos, psicólogos, servidores em geral, para lidar com essas situações de forma humanizada, sem estigma e culpas”, destacou.
Kamila Porto, familiar de uma vítima, relatou sua experiência sobre o atendimento recebido no sistema de saúde da Capital. “O profissional de saúde que está atendendo ali de forma automática, no dia a dia, tem que ter uma qualificação, tem que estar preparado para atender. Não simplesmente receitar um remédio e mandar para casa. A pessoa precisa de um acolhimento, de um carinho e um cuidado especial”, afirmou.
Marta Fradique, coordenadora de Saúde Mental da SMS, falou sobre a atual situação do atendimento de saúde mental no município. “Porto Alegre vive um certo congelamento nos últimos anos de políticas de saúde mental, que de alguma forma ficaram estagnadas no tempo e funcionam da mesma forma há muitos anos. Nós estamos, nesse momento, tendo a coragem de enfrentar algumas questões que precisam ser olhadas com carinho em relação à saúde mental na nossa cidade.” Por fim, defendeu um atendimento acolhedor e contínuo tanto para pacientes quanto para familiares. “O atendimento numa emergência, por melhor que ela seja, resolve de imediato e não fornece o tratamento continuado, não vincula, não avalia, não escuta a família, não oferece uma voz ou um espaço de escuta”, salientou.
Michelle Baladão, presidente da Associação Treze de Março, destacou a importância do atendimento inclusivo e da capacitação dos profissionais de saúde. “São pequenas ações, pequenas situações que a gente precisa capacitar os profissionais de saúde, os bombeiros, a polícia e a imprensa. Trabalhamos muito com psicoeducação, entendemos que isso é um trabalho de ‘formiguinha’, mas estamos aqui para também fazê-lo, para sermos escutados, para que a gente consiga chegar em algum lugar juntos”, pontuou.
Ricardo Nogueira, coordenador do Núcleo de Psiquiatria e diretor do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), enfatizou a importância de manter as emergências psiquiátricas da rede pública de saúde. “As equipes têm que estar sensibilizadas, em primeiro lugar. Depois, capacitadas e treinadas. Contudo, é impossível fechar as emergências psiquiátricas. Nós temos emergência em cardiologia, neurologia, obstetrícia e outras. Mas, na hora do desespero, tem que ter alguém capacitado, temos que ter profissionais tecnicamente capacitados para o atendimento”, sublinhou.
Texto: Laura Paim (estagiária de Jornalismo)
Edição: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062) e Gabinete da Vereadora psicóloga Tanise Sabino


