Na manhã de sábado, 25 de outubro, o Hotel Embaixador (Centro Histórico), em Porto Alegre, sediou a palestra “Entre a Urna e a Vida – O Desafio da Saúde Mental na Política”, conduzida pela vereadora e psicóloga Tanise Sabino (MDB). O encontro reuniu lideranças, filiados e agentes públicos em um momento de reflexão sobre o impacto emocional da vida política e a importância de cuidar da mente e do coração de quem serve à vida pública.
A atividade, realizada das 8h30 às 11h, apresentou evidências, estratégias de cuidado e ferramentas práticas para prevenção do adoecimento psíquico em contextos de alta pressão, como campanhas eleitorais, mandatos e funções de direção partidária.
Psicóloga há mais de 20 anos, mestre em Psicologia Clínica (Unisinos) e especialista em Psicologia e Saúde Mental (PUC-PR), Tanise também possui formações em Gestão Pública (UFRGS), Psicologia Organizacional (IDG) e Coordenação de Grupos (SBDG). É a primeira psicóloga eleita vereadora em 252 anos de história do parlamento de Porto Alegre.
Durante sua exposição, a vereadora apresentou dados de pesquisas da Harvard Kennedy School e da Organização Mundial da Saúde que revelam os efeitos do estresse e da sobrecarga emocional no exercício da liderança pública. Ela abordou o tema sob diferentes perspectivas — dos militantes e assessores aos parlamentares e gestores —, destacando o desgaste mental, a polarização política e os desafios de conciliar a vida pública e pessoal.
“A política é um ambiente de alta pressão, visibilidade e conflito. Mas antes de sermos vereadores, assessores ou militantes, somos pessoas, com fragilidades e sentimentos. Acredito que cuidar de quem cuida também é fazer política. Falar de saúde mental na política não é sinal de fraqueza, é um ato de lucidez e humanidade”, afirmou Tanise Sabino.
Ao longo da exposição, a vereadora sistematizou o “contexto psicológico da atividade política”, com ênfase em:
• Pressões estruturais do cargo (exposição pública, agendas extensas, demandas simultâneas, cobrança por resultados e conflitos partidários);
• Polarização e hostilidade digital, destacando os efeitos do “looping das redes sociais” sobre ansiedade, humor e tomada de decisão;
• Riscos e sinais de alerta (cansaço extremo, irritabilidade, insônia, isolamento, sintomas psicossomáticos e decisões impulsivas), bem como a evolução possível para estresse crônico, ansiedade, depressão e burnout;
• Ciclos da vida política (eleições, mudanças de equipe e identidade profissional), incluindo o luto após derrotas eleitorais e seu impacto sobre candidatos, famílias e equipes;
• As “dores silenciosas” de diferentes atores: militantes, assessores, vereadores, secretários e dirigentes partidários—com implicações para gestão de pessoas, coesão interna e proteção institucional;
• Benefícios subjetivos da política (propósito, realização, pertencimento, transformação coletiva), quando o ambiente é organizado para o cuidado e a sustentabilidade do trabalho público.
A palestra também destacou os riscos da chamada “síndrome do esgotamento político”, que pode afetar a capacidade de decisão, o equilíbrio emocional e os relacionamentos interpessoais de quem atua em cargos públicos.
Do ponto de vista prático, foram compartilhadas ferramentas de autocuidado e regulação: técnica do “observerself” (distanciamento cognitivo), autocompaixão e autoacolhimento, gestão de agenda com pausas e limites, higiene do sono, check-ups de saúde, atividade física regular, psicoterapia e rotinas de gratidão e perdão. A palestra incluiu ainda um bloco de perguntas-guia para autoavaliação da qualidade de vida e da saúde emocional de agentes públicos e equipes.
“A política exige muito da nossa mente e do nosso coração. Eu acredito no papel da psicologia para transformar a vida das pessoas—e isso começa cuidando de quem cuida. Entre a pressão das campanhas e o peso das decisões, precisamos de métodos, rotinas e uma cultura institucional que proteja as equipes. Cuidar da saúde mental não é fraqueza; é responsabilidade com a cidade”, afirmou a vereadora psicóloga Tanise Sabino.
O presidente municipal do MDB, Alexandre Borck, destacou o caráter estratégico do tema: “Partidos que pretendem durar precisam cuidar das pessoas que os constroem. Ao trazer ciência, método e práticas de prevenção, a Tanise nos lembra que organização e cuidado são ativos políticos. Isso melhora a qualidade das decisões, reduz conflitos e fortalece nossa capacidade de servir.”
O Secretário-Geral do Governo da Prefeitura de Porto Alegre, André Coronel que esteve presente também salientou: “A política é feita de pessoas, e por isso ela exige cuidado, equilíbrio e sentido. Hoje, ao tratarmos da saúde mental na vida pública, estamos falando de um compromisso com a longevidade da nossa atuação e com o respeito à nossa própria história”, afirmou o Secretário. Ele destacou a condução da vereadora psicóloga Tanise Sabino, enfatizando sua referência nesse tema na cidade: “A Tanise tem a coragem de trazer para o centro do debate aquilo que muitas vezes é silenciado: o desgaste emocional de quem está na linha de frente. Ela faz isso com profundidade técnica, sensibilidade humana e responsabilidade institucional. É uma liderança que inspira porque fala de política sem esquecer das pessoas.”
Entre a urna e a vida: palestra aborda saúde mental na política e mobiliza lideranças do MDB em Porto Alegre


