A Escola Municipal de Ensino Fundamental Leocádia Felizardo Prestes, no bairro Cavalhada, realizou nesta semana, no dia 11 de novembro, mais um encontro do grupo de famílias atípicas, iniciativa criada pela comunidade escolar em março de 2024 para fortalecer vínculos, compartilhar vivências e oferecer suporte emocional a pais e responsáveis de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. A atividade contou com a presença do Instituto Colo de Mãe, representado por sua fundadora, Roberta Vargas, conhecida como Beta e pela vereadora psicóloga Tanise Sabino.
A roda de conversa foi conduzida pela professora Paula, idealizadora do grupo dentro da escola, com apoio da vice-diretora Rute Nunes. O encontro reuniu mães atípicas que vivem desafios cotidianos com seus filhos — desde o período do diagnóstico até o acompanhamento terapêutico — criando um espaço seguro, afetivo e informativo.
Durante o encontro, Beta compartilhou sua trajetória como mãe de uma criança autista, revisitando momentos de dor, incertezas e angústias que antecederam o diagnóstico, bem como o período de adaptação e busca por tratamento especializado. Seu relato emocionou as famílias e reforçou a importância de redes de apoio. “A mão que balança o berço é a mesma que move o mundo”, afirma em entrevistas públicas — frase que sintetiza sua luta e que inspirou a criação do Instituto Colo de Mãe, referência estadual em acolhimento a famílias atípicas.
Beta relatou que, apesar dos desafios intensos enfrentados no início — medo, solidão, sobrecarga e dúvidas sobre o futuro — hoje sua família vive um cenário mais estabilizado, fruto de apoio especializado, informação qualificada e da construção de uma rede comunitária sólida. Ela também apresentou o trabalho do Instituto Colo de Mãe, que recentemente inaugurou a Casa Colo, espaço dedicado ao acolhimento de famílias de crianças autistas, proporcionando suporte psicológico, social e educativo.
A atividade reforçou a importância da escola como território de cuidado e pertencimento. A vice-diretora Rute destacou que o grupo surgiu da necessidade de acolher as muitas famílias que vinham buscando orientação. Já a professora Paula, que acompanha de perto os estudantes e seus responsáveis, enfatiza que cada encontro tem ampliado a confiança e a troca entre os participantes.
A vereadora psicóloga Tanise Sabino, que acompanha e incentiva projetos de apoio a famílias atípicas em Porto Alegre, esteve presente e ressaltou a relevância da iniciativa. “Nós sabemos que cada família atípica carrega uma história única, marcada por desafios, superações e muita coragem. Espaços como este fortalecem vínculos, reduzem o isolamento e dão voz a quem tantas vezes não é ouvido. Como psicóloga, acredito profundamente que acolhimento, informação e comunidade transformam realidades — e como vereadora, sigo trabalhando para que políticas públicas de cuidado e inclusão cheguem a quem mais precisa”, afirmou.
Segundo Tanise, a parceria com instituições como o Instituto Colo de Mãe reforça a importância de construir pontes entre escola, família, poder público e sociedade civil. “Cuidar de uma criança com TEA exige uma rede funcionando em conjunto. E cada avanço, por menor que seja, é uma vitória compartilhada”, complementou.
A escola prevê novos encontros ao longo do ano, com temas sugeridos pelas próprias famílias. A iniciativa já se tornou referência no território e busca ampliar ainda mais o apoio às crianças e responsáveis, fortalecendo o compromisso com uma educação inclusiva, humana e sensível às diversas formas de existir.
Roda de conversa aproxima famílias atípicas na Escola Leocádia Felizardo Prestes no bairro Cavalhada


