A vereadora psicóloga Tanise Sabino se reuniu, na manhã do dia 27 de novembro, com a Diretoria de Vigilância em Saúde da Vigilância Sanitária para tratar de um tema sempre presente em seu mandato: a promoção da saúde mental na capital e os desafios na prevenção ao suicídio. O objetivo da parlamentar foi promover a troca de experiências e construir alternativas para fortalecer a rede de cuidado.
Tanise explicou que sua intenção foi compreender com mais clareza as ocorrências na cidade, ouvindo quem trabalha diretamente na linha de frente. “A gente precisa escutar os profissionais e, a partir disso, construir ações e políticas públicas que fortaleçam a rede de cuidado. Meu compromisso é contribuir para que Porto Alegre avance na prevenção e no acolhimento em saúde mental”, afirmou a vereadora.
As representantes da Vigilância em Saúde apresentaram um panorama complexo, que envolve desde dificuldades na notificação de casos até situações graves em serviços que atendem pessoas com transtornos mentais e dependência química.
Um dos pontos destacados foi a subnotificação, especialmente em escolas e unidades de saúde, motivada pelo medo de profissionais serem identificados após notificarem violências ou tentativas de suicídio. Além disso, há dificuldades operacionais, como falta de confirmação de casos, burocracias no sistema e resistência de algumas equipes.
As técnicas também relataram crescimento expressivo de moradias privadas e comunidades terapêuticas, muitas funcionando de forma precária ou clandestina. Foram citados problemas como ausência de profissionais qualificados; exploração financeira de usuários; uso excessivo de medicação e situações de risco envolvendo pessoas com deficiência, idosos e adolescentes.
Em alguns casos, mesmo após interdições sanitárias, os estabelecimentos seguem operando irregularmente, mudam de endereço ou reorganizam-se para continuar atuando, o que dificulta o controle do poder público.
Outro ponto sensível relatado foi o ingresso de pessoas por ordens judiciais, deslocadas de outras cidades sem avaliação adequada ou sem vínculo familiar na capital, sobrecarregando serviços locais.
Após ouvir longamente os relatos, Tanise destacou a urgência de ações integradas entre diferentes órgãos públicos. “Esse cenário mostra que precisamos atuar de forma coordenada. Não é só uma questão de fiscalização, mas de cuidado, prevenção e estruturação da rede. Cada vida importa e deve ser protegida”, disse.
A vereadora ressaltou ainda que a prevenção ao suicídio depende do fortalecimento de políticas públicas contínuas e do suporte real aos profissionais. “É por isto que estou aqui, para ouvir…as equipes da Vigilância estão expostas a situações muito difíceis, complexas e, muitas vezes, perigosas. É fundamental garantir condições de trabalho, apoio técnico e segurança para que possam exercer suas funções”, completou.
A partir da reunião, Tanise pretende articular encaminhamentos junto à Comissão de Saúde e Meio Ambiente, à Secretaria Municipal de Saúde e a demais órgãos responsáveis pelo cuidado em saúde mental. O objetivo é avançar na construção de políticas públicas que ampliem a proteção, melhorem a fiscalização e garantam acolhimento digno às pessoas.
“Ouvimos relatos muito sérios. Agora, precisamos transformar essas informações em ações concretas. A saúde mental precisa ser tratada com prioridade e responsabilidade, e seguirei trabalhando por isso”, finalizou a vereadora.
Participaram da reunião a Diretora da DVS, Aline Vieira Medeiros; a Diretora adjunta da DVA, Juliana Dorigatti; a Gerente da UVS, Roxana Nishimura; o Chefe da EVSPIS, Alexandre Almeida; a Chefe da UVE, Patrícia Conzatti e a assistente social Sara Jane.


