Nesta sexta-feira, 24 de abril, a Prefeitura de Porto Alegre anunciou o adiamento, por mais um ano, do fechamento das emergências em saúde mental do IAPI e do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS), na Vila Cruzeiro. A decisão representa uma vitória importante para a população.
A Vereadora Psicóloga Tanise Sabino, assim que tomou conhecimento da intenção da prefeitura de fechar os serviços, se mobilizou na defesa da manutenção das emergências, tendo participado, inclusive, de protestos junto ao Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS).
As duas unidades são referência no atendimento de urgências psiquiátricas na Capital e teriam seus contratos encerrados em outubro de 2025. Após, foi definido abril de 2026. E agora, com a nova definição da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os serviços estão garantidos até abril de 2027.
Desde o anúncio da proposta de fechamento, ainda em 2025, Tanise Sabino iniciou a articulação política e institucional para evitar a desassistência da população. À frente como presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (COSMAM), a vereadora promoveu debates na comissão, cobrou transparência do Executivo e deu voz a profissionais, entidades e familiares impactados pela possível medida.
A proposta inicial da Prefeitura previa o encerramento das emergências como parte de uma reestruturação da rede, e encaminhamento dos pacientes aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). No entanto, a mudança gerou forte reação de especialistas e entidades da área, que alertaram para o risco de descontinuidade no atendimento em momentos de crise.
Com a pressão institucional e social, foi criado um Grupo de Trabalho reunindo diferentes associações e entidades, para discutir alternativas. A própria Secretaria Municipal de Saúde reconheceu que a decisão de postergar o fechamento levou em consideração “a análise da rede e as contribuições do Grupo de Trabalho criado em 2025”.
“O Grupo de Trabalho foi criado com a perspectiva de fechamento desses serviços, mas fomos além. Passamos a tratar também do fortalecimento da rede de atenção psiquiátrica no município. O próximo passo é a concretização do SAMU Saúde Mental, que foi aprovado pelos vereadores”, destaca Ricardo Nogueira, diretor e coordenador do Núcleo de Psiquiatria do SIMERS
Para Tanise, a decisão representa mais do que um adiamento: é o reconhecimento de que a rede ainda precisa estar plenamente estruturada antes de qualquer mudança mais profunda. “Não se pode fechar portas sem garantir que existam outros espaços preparados para acolher. Estamos falando de pessoas em sofrimento psíquico agudo, que precisam de resposta imediata e qualificada”, salientou Tanise.
A Secretaria Municipal da Saúde também destacou, em nota, que as readequações futuras dependerão da consolidação dos serviços territoriais e que o cenário atual de restrição orçamentária limita novos investimentos. Apesar disso, informou que a rede de saúde mental segue em expansão, com abertura recente de CAPS e fortalecimento das equipes de atenção primária.


