O nome de David Zimerman passou a fazer parte do mapa de Porto Alegre. Em uma cerimônia marcada por emoção, reconhecimento e lembranças, a Câmara Municipal de Vereadores realizou, no sábado, 3 de outubro, o ato solene de nomeação do Largo Dr. David Zimerman, localizado no bairro Praia de Belas. A denominação do espaço, anteriormente conhecido como Largo Quinhentos e Cinco, foi oficializada pela Lei Municipal nº 14.561, de 8 de junho de 2026, de autoria da vereadora psicóloga Tanise Sabino.
A cerimônia, realizada no Auditório Ana Terra da Câmara, reuniu familiares de Zimerman, profissionais e entidades ligadas à saúde mental, além de amigos, alunos e pessoas que tiveram suas trajetórias profissionais e pessoais marcadas pela convivência com o médico psiquiatra e psicanalista, falecido em 2014.
A escolha de realizar o ato solene na Câmara, em vez de no próprio logradouro, foi uma forma de dar dimensão ao reconhecimento. Ao longo da manhã, representantes da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), Centro de Estudos Luiz Guedes, Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS), UFRGS, Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA), Associação Brasileira de Psiquiatria, Associação de Psiquiatria Cyro Martins, além de outras instituições, destacaram diferentes aspectos da trajetória de Zimerman.
Uma admiração que começou na Psicologia e virou homenagem no Parlamento
Proponente da homenagem, a vereadora Psicóloga Tanise Sabino lembrou que sua relação com Zimerman começou muito antes de chegar ao Parlamento. Psicóloga há mais de 20 anos, Tanise contou que conheceu pessoalmente o psicanalista quando ainda era recém-formada, durante um congresso sobre dinâmica de grupos da Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos (SBDG). Na ocasião, já estudava seus livros e admirava seu trabalho. “Eu era tímida — e confesso que continuo um pouco até hoje —, mas criei coragem, fui conversar com ele, pedi um autógrafo no meu livro sobre grupoterapia e ainda fizemos uma foto”, relatou mostrando o livro repleto de anotações.
Anos depois, a então admiradora de sua obra retornou àquela relação, agora como vereadora de Porto Alegre, para propor que seu nome permanecesse marcado nas ruas da cidade. “Conheci Zimerman primeiro como psicóloga, admirando sua obra. Hoje tenho a honra e a responsabilidade de homenageá-lo também como representante do Parlamento de Porto Alegre”, afirmou Tanise.
O projeto foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal. Para a vereadora, portanto, a homenagem ultrapassa uma iniciativa individual. “Esta não é apenas uma homenagem da psicóloga Tanise. É uma homenagem de toda a Câmara Municipal de Porto Alegre”, destacou.
Um dos pontos centrais do discurso da vereadora foi justamente um conceito desenvolvido por David Zimerman a partir dos estudos de Wilfred Bion: o vínculo do reconhecimento. Bion havia descrito três vínculos fundamentais — amor, ódio e conhecimento. Zimerman acrescentou a eles um quarto: o reconhecimento, entendido como a necessidade humana de ser visto, percebido e valorizado pelo outro. Para Tanise, a solenidade carregava um simbolismo especial justamente por isso. “Hoje Porto Alegre está fazendo aquilo que David Zimerman ensinou ser tão essencial: o reconhecimento. Hoje estamos reconhecendo sua obra, sua trajetória, sua contribuição e tudo aquilo que ele deixou em tantas pessoas”, afirmou.
Dr. Alceu Gomes relembra trajetória de David Zimerman e origem da homenagem
Durante a solenidade, o médico psiquiatra Dr. Alceu Gomes relembrou como surgiu a proposta de homenagear David Zimerman com a denominação de um espaço público em Porto Alegre. Segundo ele, a ideia nasceu de uma conversa informal sobre saúde mental e a importância de preservar a memória de profissionais que contribuíram para o desenvolvimento da psiquiatria e da psicanálise. Alceu também destacou sua experiência pessoal com o homenageado, de quem recebeu orientações ao longo de sua formação profissional. “Eu tive algumas supervisões com David e lembro até hoje”, recordou.
O Dr. Alceu também ressaltou que o legado de David Zimerman vai além de sua extensa produção científica e literária, permanecendo presente na prática clínica e na formação de inúmeros profissionais. Destacou sua capacidade de transmitir conhecimentos complexos de maneira acessível, aliando profundidade teórica, sensibilidade e experiência clínica. Nesse sentido, a denominação do largo representa não apenas o reconhecimento de uma trajetória profissional, mas também a valorização da história da saúde mental no Rio Grande do Sul e das contribuições daqueles que ajudaram a construir e fortalecer esse campo do conhecimento.
O reconhecimento de quem conviveu com Zimerman
Presente na solenidade, o médico Fernando Lejderman, presidente da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, destacou sua convivência de décadas com Zimerman.
Lejderman foi aluno, supervisionando, paciente e posteriormente colega do psicanalista. Segundo ele, Zimerman foi um modelo e uma inspiração, especialmente pela capacidade de transformar situações complexas em algo simples, criativo e inteligente. “Ele era uma pessoa extremamente conciliadora, transformava coisas complicadas de um modo simples, criativo e inteligente. Era um líder conciliador, uma pessoa inovadora, que aceitava as diferenças e convivia bem com elas”, afirmou.
Lejderman contou ainda que, após a morte de Zimerman, alguns de seus antigos pacientes passaram a procurá-lo. Até hoje, diante de situações difíceis, ele recorre à memória do antigo mestre. “Eu sempre pergunto para os meus pacientes que foram atendidos pelo Zimerman: ‘O que o doutor David te diria?’. E sempre é algo simples, criativo e inteligente”, relatou.
O presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Dr. Sérgio de Paula Ramos, destacou a autenticidade de David Zimerman e sua capacidade de manter convicções próprias sem deixar de considerar diferentes perspectivas. “Ele pensava pela própria cabeça. Tinha suas convicções, mas estava sempre aberto a novas percepções, sem jamais perder a sua identidade.” Sergio também contou que o Dr. David acompanhou profissionalmente sua esposa por 11 anos e ajudou muito. “Por isso, estar aqui hoje tem para mim um significado que ultrapassa a representação institucional que exerço como presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina. Há também aqui gratidão” – enfatizou Sérgio. Ele também retomou a definição de largo, lembrando que não é apenas um endereço. É um espaço aberto, um lugar de passagem, de encontro e que representa muito bem o que David fez durante toda a vida: criou espaços para que as pessoas se encontrassem, para que ideias circulassem, para que dúvidas pudessem ser formuladas e que para cada um, depois desse encontro, pudesse seguir o seu próprio caminho.
Já a médica Silza Tramontina, representante do CREMERS, ressaltou a dimensão humana do homenageado. “Falar do Dr. David Zimerman é, antes de tudo, exercitar aquilo que ele nos ensinou com tanta maestria durante toda a sua vida: a arte de escutar, de acolher e de vincular”, afirmou.
Para Silza, Zimerman foi um verdadeiro tradutor da alma humana e teve a capacidade rara de transformar conceitos complexos em conhecimento acessível. “Seu pensamento continua vivo em cada sessão de análise, em cada grupo de estudos e no coração de cada profissional que aprendeu, pelas mãos dele, a ouvir o inaudível e a respeitar a singularidade da dor e do afeto humano”, destacou.
“Acima de tudo, era preciso ter coragem”
Entre os depoimentos, o professor Flavio Kapczinski, pró-reitor de Pesquisa da UFRGS e médico psiquiatra, trouxe uma lembrança de quando ainda era residente em Psiquiatria e teve contato com Zimerman durante uma jornada do Centro de Estudos Luiz Guedes. Kapczinski recordou uma fala que o marcou especialmente. Ao abordar o atendimento de pacientes considerados difíceis, Zimerman destacou a importância da empatia e da técnica, mas acrescentou um elemento que, para o então jovem médico, chamou atenção: a coragem. “Ele enfatizou que, acima de tudo, era preciso ter coragem. Eu fiquei muito impactado. E aí ele disse: ‘Coragem porque, na etimologia, coragem vem de coração’”, contou.
Para Kapczinski, aquela lembrança sintetiza parte importante do legado deixado por Zimerman. Segundo ele, além do conhecimento e da independência intelectual, havia no psicanalista uma capacidade singular de ouvir sem julgar e de acolher as pessoas. “Ele era um sujeito extremamente compreensivo, afetuoso e algo que faz muita falta hoje em dia: ele não era de julgar as pessoas. Antes de tudo, ele ouvia”, destacou.
O professor também ressaltou a maneira simples e autêntica com que Zimerman transmitia suas ideias, mesmo diante de temas complexos, e sua capacidade de pensar com independência. A homenagem também teve, para Kapczinski, um significado especial por reconhecer um profissional que fez parte da própria história da universidade. “O David é um ilustre egresso desta casa, da nossa Universidade Federal do Rio Grande do Sul”, afirmou.
O reconhecimento como legado
A psicóloga Eluza Enck, representante dos alunos e supervisionandos de Zimerman e sócia emérita da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, também destacou o conceito de Bion sobre os três vínculos fundamentais — amor, ódio e conhecimento —, destacando que Zimerman acrescentou a eles o vínculo do reconhecimento. Eluza referiu que Zimerman não apenas escreveu sobre o reconhecimento: ele o praticava em sua maneira de se relacionar. “Era alguém capaz de transmitir ideias complexas de uma forma próxima, viva, acessível e, sobretudo, alguém que fazia o outro sentir-se escutado, considerado e reconhecido”, afirmou.
Para Eluza, a escolha do nome do espaço também carrega um significado simbólico especial. “Talvez não pudesse haver uma homenagem mais bonita e significativa a David Zimerman do que permanecer entre nós justamente através de um lugar chamado Largo”, disse. Para ela, a palavra remete à “largueza” do pensamento, do conhecimento, da afetividade e da generosidade do homenageado.
Uma trajetória que ajudou a construir a saúde mental no Estado
Representando a Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, a psicóloga e conselheira Suzana Notti lembrou sua convivência com Zimerman desde a década de 1970. Em uma fala marcada pela relação afetiva, ela o chamou pelo apelido pelo qual era conhecido entre amigos e colegas: “Davizinho”.
Suzana destacou a importância de Zimerman para a formação dos psicólogos em uma época em que ainda existiam restrições e preconceitos em relação à atuação profissional da categoria. “Ele foi uma figura fundamental para a formação e o exercício profissional de muitas psicólogas e psicólogos”, afirmou.
A representante da Sociedade de Psicologia também lembrou que, em 2025, a entidade realizou um simpósio dedicado à trajetória e à obra de Zimerman, reunindo colegas, alunos, familiares e amigos. “Mais do que lembrar Davi, aquele encontro mostrou que o legado permanece justamente quando continua sendo estudado, discutido e transmitido”, destacou.
A psicanálise como espaço de pensamento e liberdade
Pela Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA), o médico Carlos Augusto Ferrari Filho escolheu falar de uma das obras mais conhecidas de Zimerman, Fundamentos Psicanalíticos, cuja segunda edição ampliada e revisada foi lançada em 2026.
Ao lembrar o prefácio da primeira edição, escrito pelo psicanalista Flávio Rotta, Ferrari destacou uma característica considerada fundamental na personalidade de Zimerman: a capacidade de estimular o debate, o livre pensar e a criatividade daqueles que conviviam, trabalhavam e estudavam com ele.
Também recuperou uma lembrança da filha de Zimerman, Idete, sobre o modo como o pai se relacionava com o conhecimento. “Ele trazia a psicanálise quando falava às pessoas com o coração aberto, generoso e com uma cultura geral e psicanalítica admirável”, lembrou.
Ferrari encerrou sua fala retomando uma pergunta que Zimerman costumava fazer ao iniciar suas palestras: “Todos me ouvem bem…lá no fundo?”. Para o representante da SPPA, este questionamento permanece presente mesmo depois de sua morte.
“Hoje, nesta homenagem, nosso pensamento viaja e, em nossas lembranças, o Davi está junto, bem lá no fundo…de nosso coração”, afirmou.
Representando o Centro de Estudos Luiz Guedes, a psiquiatra e psicanalista Ana Margareth Bassols destacou a atualidade da produção científica de David Zimerman, cujas obras permanecem como referência para o estudo e a prática profissional em saúde mental. “Uma das coisas que mais me chama atenção na obra do professor David foi a questão do trabalho com grupos, criando o conceito de campo grupal, algo que hoje em dia ainda precisa ser trabalhado em nosso meio.”
Um modelo para diferentes gerações
Representando a Associação Brasileira de Psiquiatria e a Associação de Psiquiatria Cyro Martins, o médico psiquiatra Dr. Cláudio Martins destacou a presença de diferentes segmentos da saúde mental na solenidade. Filho de um amigo de longa data de Zimerman, Martins acompanhou sua trajetória desde a infância. Mais tarde, foi seu aluno, supervisionando, paciente e, posteriormente, colega.
“Essa representatividade de todos os segmentos mais significativos da nossa sociedade mostra o reconhecimento maior. É uma unanimidade não apenas política, mas também científica”, afirmou. Martins ressaltou ainda a relação de confiança que recebeu de Zimerman quando era um jovem médico.
Um legado que chegou às editoras, à educação e às novas gerações
Representando o grupo Mais Educação, Celso Kiperman trouxe um olhar empresarial e institucional para a contribuição de Zimerman à consolidação da produção brasileira na área da saúde mental.
Ao lembrar sua relação pessoal com o psicanalista, Kiperman contou que Zimerman frequentemente o procurava para conversar sobre assuntos relacionados à inovação, mesmo quando poderia recorrer naturalmente ao seu pai, também seu interlocutor. “Talvez ele tenha sido o primeiro grande profissional respeitado que reconheceu a minha competência profissional”, afirmou. Para Kiperman, esse reconhecimento também teve efeitos institucionais. As obras de Zimerman contribuíram para que sua editora se tornasse uma das principais referências brasileiras na publicação de conteúdos relacionados à saúde mental. “A gratidão e a emoção são enormes”, resumiu Kiperman.
O legado de Zimerman na rede de saúde pública
O secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, destacou que a influência de Zimerman não ficou restrita às universidades, consultórios ou instituições de formação.
Durante sua própria formação médica, Ritter teve contato com uma palestra de Zimerman e lembrou a capacidade do professor de traduzir conceitos complexos para uma linguagem compreensível e aplicável. “Ele talvez possa ser resumido como um encantador: encantador pelas suas palavras, pela sua obra”, afirmou.
Ritter também destacou a atualidade de conceitos relacionados ao trabalho com grupos e ao cuidado coletivo, apontando que esses conhecimentos permanecem presentes em diferentes frentes da rede municipal de saúde. Segundo o secretário, a cidade também ganha ao inscrever o nome do psicanalista em um espaço público de convivência. “Porto Alegre fica muito feliz por estar com esse largo com o nome dele”, afirmou.
Uma família que também carrega o legado
Se as instituições falaram sobre o médico, o professor e o psicanalista, coube à família apresentar outra dimensão de David Zimerman: o homem dentro de casa.
A filha, médica psiquiatra e psicanalista Idete Zimerman, emocionou-se ao falar da homenagem e da convivência com o pai. “Hoje é um dia de privilégios”, afirmou, agradecendo à vereadora Tanise Sabino, ao médico Alceu Gomes, aos amigos, familiares e colegas que participaram da homenagem.
Idete lembrou do pai ainda na infância, frequentemente acompanhado de livros e envolvido em leituras. Para ela, mais do que qualquer obra escrita, a mente do pai era o maior dos livros. “Dentre todos os livros que já me fascinavam, com aquelas capas, títulos e conteúdos misteriosos, o livro mais belo ao meu alcance era a mente do meu pai — a mente disponível, criativa, generosa”, relatou.
Ao falar da transmissão da psicanálise, Idete ressaltou que Zimerman buscava uma psicanálise viva, profunda, mas não hermética. “Falou a linguagem profunda da psicanálise com palavras simples, não simplórias, mas simples. Falou ao perto e ao longe, falou ao largo e fala em seus 12 livros, um legado vivo”, afirmou.
Ao final, agradeceu a todos os que contribuíram para a construção da homenagem. “Obrigada por mais esse tijolo tão sólido e tão raro nessa construção a tantas mãos”, disse. “Porto Alegre resolveu transformar suas raízes em permanência”
O filho de Zimerman, o médico cardiologista Leandro Zimerman, encerrou as homenagens da família com uma fala que aproximou a trajetória do pai da história de Porto Alegre. Para ele, o Largo representa uma forma de devolver o pai à cidade por onde circulou durante toda a vida e que foi cenário para suas conquistas mais marcantes. “Estamos colocando o nome dele em um lugar que não é estranho na sua vida: estamos devolvendo o pai às ruas de Porto Alegre por onde ele sempre circulou”, afirmou.
Leandro recordou que Zimerman nasceu, estudou, trabalhou, constituiu família e morreu em Porto Alegre. Lembrou de seus endereços, dos locais onde trabalhou, dos restaurantes que frequentava, do Grêmio e, principalmente, da relação com a cidade e com o Guaíba. “Porto Alegre foi o cenário de praticamente todos os momentos importantes de sua vida”, afirmou.
Assim como Eluza e Tanise, Leandro encontrou um significado especial na palavra “Largo”. “Largo era exatamente o que ele era. Era largo no acolhimento, nas ideias, na disposição de ouvir, na capacidade de aceitar as diferenças. Tinha uma largura humana tão grande que dentro dela cabiam todas as tribos”, disse. Segundo o filho, Zimerman tinha uma característica que marcou profundamente sua convivência com as pessoas: “Ele não precisava saber a importância de uma pessoa para considerá-la importante”.
Um lugar para lembrar e encontrar
Leandro também falou sobre a relação do pai com o pôr do sol do Guaíba — justamente a paisagem que poderá ser contemplada a partir do novo Largo. A lembrança trouxe à solenidade uma dimensão ainda mais pessoal. Segundo ele, os finais de tarde diante do Guaíba eram momentos de convivência com a família e com sua mãe, Guite, companheira de toda a vida de Zimerman. “Agora nós temos um lugar em Porto Alegre onde podemos encontrar ele”, afirmou, referindo-se ao novo Largo.
A frase expressou o significado da solenidade: mais do que preservar a memória de David Zimerman, a homenagem busca valorizar seu legado e manter viva sua contribuição para a psiquiatria, a psicanálise e a saúde mental, permitindo que sua história seja conhecida também pelas futuras gerações.
Autoridades e profissionais da saúde mental prestigiam homenagem a David Zimerman
Também prestigiaram o ato solene diversas autoridades, profissionais da saúde mental e representantes de instituições acadêmicas e entidades da sociedade civil. Entre os presentes estavam o Dr. Carlos Salgado, da Vila Janus; o médico psiquiatra Dr. Luiz Carlos Osório, que compartilhou com David Zimerman a autoria de uma de suas obras; o Dr. Gley Costa, pioneiro da psicanálise e integrante da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre; o médico psiquiatra Dr. Ricardo Nogueira, representando o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS); o ex-presidente do SIMERS, Dr. Marcos Rovinski; o presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Dr. Gerson Junqueira Júnior; a chefe do Serviço de Psiquiatria do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, Dra. Madeleine Scop Medeiros; e o ex-presidente da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), Dr. Flávio Shansis.
Também estiveram presentes Josiara Souza, integrante do Comitê Gestor do CERTA; o Dr. Rogério Cardoso, da Fundação Universitária Mário Martins; o presidente da Associação de Graduados Resgatando Sonhos, Sandro Cyntrão; a coordenadora do curso de Psicologia da Estácio, Greice Carvalho, representando a instituição; a professora de Psicologia Angela Alenice Rothmund, representando a Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC).
A homenagem também contou com a presença de familiares que vieram especialmente de São Paulo para participar da solenidade. Entre eles, Sérgio Zimerman, filho de José Zimerman, irmão mais velho do Dr. David Zimerman, e primo-irmão de Leandro e Idete Zimerman. Acompanhado de sua esposa, Patrícia Rocha Zimerman, Sérgio fez questão de prestigiar a cerimônia, em um gesto de carinho e reconhecimento à memória e ao legado do tio, tornando o momento ainda mais especial para a família.
Com a denominação do Largo Dr. David Zimerman, Porto Alegre passa a contar com um espaço público que preserva a memória de um dos grandes nomes da psiquiatria e da psicanálise brasileira. A iniciativa da vereadora psicóloga Tanise Sabino representa um reconhecimento à trajetória de um profissional que dedicou sua vida ao estudo da mente humana, à formação de gerações de especialistas e à valorização das relações humanas. Seu nome passa, assim, a integrar a história e a paisagem da cidade onde viveu e construiu grande parte de seu legado.

