Na manhã desta quinta-feira, 12 de fevereiro, a Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara de Vereadores esteve no Hospital Porto Alegre com o objetivo de apurar uma série de denúncias recebidas por meio de redes sociais, mensagens de WhatsApp, ouvidorias e relatos encaminhados por entidades representativas da área da saúde.
A comitiva contou com a presença de vereadores integrantes da comissão, representantes da Secretaria Municipal de Saúde, sindicatos e da direção da instituição hospitalar. Entre os principais pontos levantados estiveram possíveis atrasos salariais, denúncias de assédio moral e sexual, suposta falta de medicamentos e insumos, precariedade na limpeza, dimensionamento de equipes, condições estruturais e qualidade do atendimento aos pacientes.
Durante a visita, foram apresentados relatos de familiares sobre demora na administração de medicamentos, dificuldades no manejo da dor em pacientes em cuidados paliativos, condições precárias de higiene em quartos e falta de equipamentos. Também foram mencionadas denúncias sobre sobrecarga de profissionais, faltas frequentes nas escalas e questionamentos quanto à regularidade de alvarás em alguns setores.
A vereadora psicóloga Tanise Sabino, integrante da Cosmam, destacou a preocupação com o volume de manifestações recebidas. “Soubemos, inclusive pela Ouvidoria do município, que este hospital é campeão de denúncias, e isso nos preocupa. Nosso papel é fiscalizar, ouvir todos os lados e entender o que está acontecendo. Estamos falando de pacientes em situação de vulnerabilidade e de trabalhadores que precisam ter seus direitos respeitados”, afirmou.
Tanise reforçou que a comissão busca transparência e soluções concretas. “Queremos garantir que o atendimento seja humanizado, que não faltem insumos, que os profissionais tenham condições adequadas de trabalho e que a população receba o cuidado digno que merece. A fiscalização é um dever do Legislativo e uma resposta às famílias que nos procuraram.”
Representando a direção do hospital, o gerente administrativo Alan Diego Crema afirmou estar surpreso com parte das denúncias e negou irregularidades generalizadas. “Não temos nenhum salário atrasado. Estou no hospital desde agosto de 2025 e, desde então, não há atraso na folha de pagamento. Pode haver situações pontuais, mas não existe atraso sistemático”, declarou.
O gerente Crema também afirmou que não há desabastecimento de medicamentos ou materiais básicos e que o dimensionamento da equipe de enfermagem está de acordo com as recomendações do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RS). Segundo ele, um dos principais desafios enfrentados é o alto índice de faltas não comunicadas por parte de alguns profissionais, o que impacta diretamente na organização das escalas.
Sobre as críticas relacionadas à limpeza, o diretor informou que há equipe de higienização atuando regularmente e que está em andamento a contratação de uma coordenação de hotelaria para qualificar ainda mais os processos. “Todos os problemas estão sendo enfrentados. Não temos uma ‘varinha mágica’, mas estamos trabalhando para resolver as demandas. O hospital é 100% SUS e depende integralmente dos recursos da Prefeitura, que precisam ser direcionados conforme as prioridades”, explicou.
A Secretaria Municipal de Saúde também se manifestou, lembrando que, após as inundações de 2024, houve autorização do Ministério da Saúde para contratação emergencial de leitos, diante do aumento significativo na demanda por internações na Capital. A pasta reconheceu os desafios e afirmou estar dialogando com a instituição para que eventuais problemas sejam sanados.
Manoel trindade, Coordenador das Câmaras Técnicas lembrou a importância do Hospital ter um Diretor técnico e também lembrou que a entidade já realizou algumas fiscalizações no HPOA e que as demandas desde então não forma respondidas. Reconheceu a importância do hospital e reiterou a importância de ele operar plenamente.
Representando o Sindisaúde, Estela Maris expôs casos que têm recebido. “Todos os dias estamos recebendo relatos sobre assédio moral e, nos dois últimos dias, recebi inclusive sobre assédio sexual. Isso não é possível, o trabalhador já está em um lugar insalubre e ainda sofre assédio moral e sexual? Estava lendo ali, humanização como diferencial social, onde está acontecendo isso? O trabalhador tem que ser humanizado”, relatou.
Marcelo Matias, presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), relatou estar acompanhando todos os casos que acontecem na saúde do município e comentou sobre não poder fazer imagens. “Me causa um pouco de surpresa não poder fazer a vistoria com imagens. Independente das denúncias que venham, precisam ser levadas a sério. A humanização é o primórdio do atendimento”. Acrescentou que há denúncias de carência de materiais básicos, número inadequado de profissionais por paciente e questões básicas de higiene. “Queremos que o hospital progrida para melhoria e dentro das regras estabelecidas. Não podem ser criados riscos de criar problemas e não soluções.”
Ao final da visita, a Cosmam informou que continuará acompanhando a situação, podendo solicitar documentos formais, realizar novos encaminhamentos e, se necessário, acionar os órgãos de controle competentes. A comissão reforçou que a fiscalização seguirá com responsabilidade e transparência, visando assegurar atendimento digno aos pacientes e condições adequadas de trabalho aos profissionais da saúde.
Texto: Marco Aurélio Marocco (Reg. Prof. 6062)
Edição: Caroline Strussmann
Cosmam realiza visita ao Hospital Porto Alegre para apurar denúncias de usuários e profissionais da saúde


