No domingo, dia 8 de março, a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana São Lucas viveu um momento especial com a cerimônia de nomeação da Passagem Linda Michel denominada através da Lei nº 14.345/25, proposta pela Vereadora Psicóloga Tanise Sabino. A data não foi escolhida por acaso: além de marcar o Dia Internacional da Mulher, foi realizado um culto que celebrou os 25 anos de pastorado de Scheila Dreher, tornando o dia triplamente festivo para a comunidade. Após o culto, os integrantes da comunidade seguiram em caminhada até a Passagem Linda Michel, onde foi realizado o ato oficial de nomeação,
Durante a cerimônia, a pastora Scheila destacou o significado da homenagem. Segundo ela, o gesto reafirma um princípio importante da tradição luterana: o sacerdócio geral de todos os crentes, ao reconhecer a contribuição de uma mulher leiga que marcou profundamente a história da comunidade. A pastora também explicou que a ideia surgiu em uma conversa informal após um culto e, posteriormente, foi levada à diretoria da comunidade, que aprovou a proposta de homenagear Linda Michel.
A coordenadora da Casa de Passagem São Lucas, Elisangela Gross Fliegner, ressaltou o impacto prático da nomeação no dia a dia dos hóspedes da instituição, que acolhe pessoas em tratamento de saúde: “As pessoas hospedadas na Casa de Passagem têm problemas de saúde e agora o acesso será simplificado, inclusive para recebimento de medicamentos e uso de aplicativos”, afirmou.
Eu sua fala, a proponente da lei, Vereadora Psicóloga Tanise Sabino destacou o valor simbólico da nomeação e o legado deixado pela homenageada: “Quando alguém perguntar: ‘Mas quem foi Linda Michel?’, poderemos responder: ela foi uma mulher de fé, coragem e serviço. Linda enfrentou desde muito jovem os desafios da vida com trabalho e determinação. Construiu sua família em Porto Alegre e foi protagonista na fundação da Comunidade São Lucas, onde assumiu a primeira presidência da OASE e dedicou mais de 30 anos ao cuidado, às visitas e ao trabalho voluntário.”
A parlamentar também lembrou a origem peculiar da comunidade São Lucas: “A história da São Lucas é muito simbólica: nasceu a partir do serviço social, do cuidado com as pessoas, e somente depois foi erguido o templo — mostrando que, antes das paredes, veio o amor ao próximo. Linda Michel personificou exatamente isso: primeiro o serviço, primeiro as pessoas, primeiro o compromisso com a comunidade.”
Tanise também destacou a importância de ampliar a presença feminina na memória urbana: “Fico muito feliz em estar hoje dando nome de rua a uma mulher. Poucas ruas em Porto Alegre têm nome feminino.”
Representando a Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, o deputado Sabino elogiou a iniciativa e ressaltou o simbolismo de realizá-la justamente no Dia Internacional da Mulher. “Deus une pessoas e propósitos”, afirmou, lembrando as afinidades entre o trabalho de Linda Michel — que ensinava crochê —, a pastora Scheila, que presenteou famílias da comunidade com uma margarida de crochê em gratidão pelos 25 anos de pastorado, e a vereadora Tanise, que desenvolve o Projeto Colo de Mãe, para o qual sua mãe confecciona enxovais também em crochê.
O filho da homenageada, Nelson Michel, falou da sua emoção quando a comunidade sugeriu a homenagem e recordou a personalidade da mãe: “Ela era uma pessoa alegre, de fácil trato, sempre disposta a ouvir e a conciliar.”
Quem foi Linda Michel
Linda Michel nasceu em 7 de junho de 1909, em Açoita Cavalo, então distrito de Santo Antônio da Patrulha — hoje parte do município de Rolante. Filha de Paul Gotlieb Bergold e Olga Fuchs, foi a terceira de dez irmãos em uma família numerosa marcada pelo trabalho e pela união.
Mulher de fé e dedicação comunitária, teve atuação marcante na vida religiosa e social. Participou ativamente da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana São Lucas e foi a primeira presidente do grupo da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE). Por mais de três décadas, dedicou-se às atividades comunitárias, visitas, ações solidárias e trabalhos manuais.
Também atuou como instrutora de crochê para mães da Creche Eugênia Conte, vinculada à Comunidade Evangélica de Porto Alegre, que integra a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

