Em uma cerimônia marcada pela emoção, pelo reconhecimento e pelas lembranças de uma vida dedicada ao próximo, foi realizada no sábado, dia 30 de maio a cerimônia de nomeação da Rua Gislaine da Rosa Chaves, na Vila dos Herdeiros, Lomba do Pinheiro. A denominação foi oficializada por meio da Lei nº 14.523/2026, de autoria da vereadora psicóloga Tanise Sabino.
Familiares, amigos, lideranças comunitárias, colegas de trabalho e moradores da região participaram da homenagem, que ganhou um significado ainda mais especial por marcar a primeira vez que uma agente comunitária de saúde dá nome a uma rua em Porto Alegre — justamente na comunidade onde construiu sua trajetória de trabalho, cuidado e compromisso social.
Estiveram presentes, além da vereadora, a amiga que sugeriu a homenagem, Cila Weber; a melhor amiga, afilhada e colega da Unidade Básica de Saúde Herdeiros, Luciane Medeiros Silveira; a gerente da UBS Herdeiros, Paula Cardoso; a diretora de Atenção Primária, Vânia Frantz, representando a Secretaria Municipal de Saúde; além da mãe, Ione Chaves, dos filhos Taciano e Ketlin Chaves, do viúvo Jorge Luis Machado de Castro e demais familiares.
Ao abrir a solenidade, Tanise destacou que a homenagem ultrapassa a simples identificação de uma via pública: “Hoje não estamos apenas nomeando uma rua. Estamos reconhecendo uma trajetória de cuidado, presença e compromisso com a comunidade. Gislaine passou a vida caminhando pelas ruas deste bairro, batendo de porta em porta, levando acolhimento, orientação e dignidade. Agora é uma rua que passa a carregar seu nome. É como se a cidade dissesse: Gislaine faz parte da história deste lugar”, afirmou.
A vereadora também ressaltou a força simbólica da homenagem: “Dar nome a uma rua significa reconhecer que aquela história importa. Que aquela vida merece ser lembrada. Que aquele exemplo não pode desaparecer com o tempo. E toda vez que alguém perguntar quem foi Gislaine da Rosa Chaves, a própria comunidade ajudará a responder: foi uma mulher que cuidou das pessoas, que serviu sua comunidade e que viveu para fazer o bem.”
A amiga Cila Weber, responsável por sugerir a homenagem, lembrou o impacto da perda de Gislaine para a comunidade. Seu marido, motorista do SAMU, participou do atendimento da ocorrência que resultou em seu falecimento. “Foi muito forte acompanhar a comoção que tomou conta da comunidade. A família sofreu muito, mas toda a região também sentiu essa perda. A Gislaine deixou uma marca verdadeira na vida das pessoas. Agradeço à vereadora Tanise pela sensibilidade de encaminhar esse projeto. Fica o exemplo de alguém que pensou no coletivo e fez a diferença na vida de tantas pessoas”, declarou.
Muito emocionada, Luciane Medeiros Silveira falou da amizade construída ao longo dos anos.“A Gislaine dedicou a vida ao cuidado. Ser agente comunitária é muito mais do que uma profissão. É estar presente nos momentos difíceis, levando apoio, esperança e acolhimento. Nossa amizade começou como colegas de trabalho, mas ela se tornou madrinha do meu casamento e, com o tempo, passou a ser uma irmã para mim. Hoje essa homenagem representa tudo aquilo que ela foi para tantas pessoas.”
A gerente da UBS Herdeiros, Paula Cardoso, destacou a capacidade que Gislaine tinha de conectar o serviço de saúde à realidade da comunidade. “Ela fazia uma ponte muito importante entre a população e os profissionais da saúde. Tinha uma compreensão profunda da comunidade e nos ensinava diariamente sobre participação popular e controle social. Seu legado permanece vivo em tudo aquilo que ajudou a construir.”
Representando a Secretaria Municipal de Saúde, a diretora de Atenção Primária, Vânia Frantz, ressaltou que a homenagem transcende a trajetória individual de Gislaine. “Ela representava solidariedade, compromisso e pertencimento. Esta rua eterniza uma história que merece ser lembrada. Gislaine sempre esteve presente nos espaços de controle social, cobrando soluções e defendendo a comunidade. Por isso, considero que esta homenagem também se estende a todos os agentes comunitários de saúde, profissionais que traduzem as necessidades da população para dentro do sistema de saúde. É muito bonito imaginar que, no futuro, seus netos passarão por esta rua e saberão que sua avó foi uma pessoa especial para toda uma comunidade.”
Falando em nome da família, o filho Taciano Chaves relembrou a dedicação da mãe dentro e fora de casa.“Ela era uma mãezona, uma guerreira que batalhou muito para criar os filhos. Com o passar do tempo, fomos entendendo a dimensão do que ela representava para a comunidade. Víamos ela tirar coisas de dentro de casa para ajudar outras pessoas. Em muitos lugares éramos conhecidos como os filhos da Gi do posto. Hoje fica o sentimento de gratidão por tudo o que ela fez.”
A trajetória de Gislaine da Rosa Chaves é marcada pela dedicação ao serviço comunitário. Moradora histórica da Vila dos Herdeiros, iniciou sua atuação profissional no posto de saúde local como auxiliar de serviços gerais e, posteriormente, tornou-se agente comunitária de saúde por concurso público. Também atuou no Orçamento Participativo, no Conselho de Saúde e em diversas ações sociais e religiosas da comunidade.


