No dia 30 de maio, a vereadora e psicóloga Tanise Sabino participou do Treinamento de Capelania promovido pela União de Ministros Evangélicos do Rio Grande do Sul (UMERGS), presidida pelo Coronel Salomão. O evento foi realizado na Igreja Assembleia de Deus – Distrito Chácara Barreto, no bairro Nossa Senhora das Graças, em Canoas, reunindo capelães, líderes religiosos e voluntários interessados em qualificar sua atuação no cuidado às pessoas em situação de sofrimento.
Durante a programação, Tanise ministrou a palestra “Saúde Mental e Capelania: acolhendo pessoas em sofrimento emocional”, abordando os desafios emocionais enfrentados pela sociedade contemporânea e o papel da capelania como instrumento de acolhimento, escuta e esperança. A psicóloga destacou que vivemos uma geração marcada pelo aumento da ansiedade, da depressão, da solidão e da sobrecarga emocional, realidade que tem levado cada vez mais pessoas a buscarem apoio espiritual em momentos de crise.
Ao longo da palestra, Tanise ressaltou que os capelães frequentemente encontram pessoas nos momentos mais difíceis de suas vidas, como situações de luto, doença, crises familiares, internações hospitalares, encarceramento ou sofrimento emocional profundo. Segundo ela, nesses contextos, o mais importante nem sempre é ter respostas prontas, mas oferecer presença, escuta e acolhimento.
A palestrante também alertou para o fato de que o sofrimento emocional nem sempre é visível. Muitas pessoas continuam trabalhando, frequentando a igreja e mantendo suas rotinas enquanto enfrentam internamente sentimentos de desesperança, culpa, solidão ou até pensamentos de desistência da vida. Por isso, defendeu que os capelães estejam atentos aos sinais silenciosos do sofrimento humano.
Outro tema abordado foi a importância da comunicação acolhedora. Tanise apresentou exemplos de frases que podem ferir pessoas em sofrimento emocional, mesmo quando ditas com boa intenção, e orientou os participantes sobre formas mais empáticas de abordagem. A palestra enfatizou que escutar sem julgamento, demonstrar interesse genuíno e validar a dor do outro são atitudes que podem produzir grande impacto no processo de recuperação emocional.
A psicóloga também destacou que fé e saúde mental não são realidades opostas. Segundo ela, oração, acolhimento espiritual e acompanhamento religioso possuem papel importante no enfrentamento das dificuldades da vida, mas não substituem o tratamento profissional quando necessário. Nesse sentido, reforçou que um dos papéis mais importantes do capelão é saber identificar situações de risco e encaminhar a pessoa para atendimento psicológico, psiquiátrico ou médico quando houver necessidade.
“Falar sobre capelania é falar sobre presença humana. O capelão encontra pessoas em momentos de dor, medo, luto, doença e sofrimento emocional. Muitas vezes, a maior ajuda não está em resolver o problema, mas em permanecer ao lado da pessoa, demonstrando acolhimento, escuta e esperança”, afirmou Tanise.
O evento também contou com a presença do deputado estadual Sabino, que levou sua saudação aos participantes e destacou a importância do trabalho desenvolvido pelos capelães em hospitais, escolas, presídios, instituições sociais e comunidades. Em sua manifestação, o parlamentar relembrou a legislação de sua autoria voltada ao fortalecimento da capelania no Rio Grande do Sul, ressaltando o reconhecimento do papel social, espiritual e humano exercido por esses voluntários e líderes religiosos.
“O capelão muitas vezes chega onde o Estado não consegue chegar. É alguém que leva conforto, esperança e apoio em momentos de extrema vulnerabilidade. Valorizar a capelania é reconhecer uma rede silenciosa de cuidado que transforma vidas todos os dias”, destacou o deputado Sabino.
Ao encerrar sua participação, Tanise reforçou que, em um mundo cada vez mais acelerado e marcado pelo sofrimento emocional, a capelania continua sendo uma importante expressão de cuidado com o próximo. “Talvez o maior ministério da capelania seja lembrar pessoas feridas de que elas continuam tendo valor. Às vezes, uma presença acolhedora pode impedir alguém de desistir”, concluiu.30


