Foi lançado na manhã desta segunda-feira, 14 de setembro, na sede do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em Porto Alegre, o Programa Mães Atípicas, iniciativa que busca ampliar a autonomia, a geração de renda e a inclusão produtiva de mulheres cuidadoras de crianças neurodivergentes. A proposta reúne capacitação profissional, empreendedorismo, atendimento multidisciplinar e acolhimento das crianças durante as atividades.
A iniciativa tem como meta capacitar 100 mães por ano e oferecer suporte multidisciplinar a 50 mães por semestre. Entre os objetivos estão o desenvolvimento de competências empreendedoras e digitais, a criação de oportunidades reais de renda, o fortalecimento da saúde mental, a redução da vulnerabilidade social e a construção de uma rede de apoio. O programa também pretende estimular a empregabilidade inclusiva e o empreendedorismo feminino.
A Vereadora Psicóloga Tanise Sabino, madrinha do projeto e uma das principais articuladoras para que a iniciativa saísse do papel, destaca que a proposta parte de uma mudança de perspectiva: olhar para toda a família, e não somente para a criança. “Quando falamos em inclusão, precisamos lembrar que existe uma mãe, uma família, uma rede que também precisa ser cuidada. Não podemos olhar apenas para o atendimento da criança e esquecer quem está todos os dias ao lado dela. Nosso objetivo é fortalecer essas mães para que elas tenham condições de cuidar, trabalhar, empreender, recuperar sua autonomia e também cuidar da própria saúde mental.”
Para Tanise, cuidar da mãe significa também ampliar as possibilidades de desenvolvimento dos filhos: “Quando fortalecemos uma mãe, fortalecemos uma família inteira. É por isso que esse projeto é tão importante: ele une qualificação profissional, geração de renda, saúde mental, atendimento às crianças e acolhimento. É um cuidado integral, que olha para as necessidades reais dessas famílias.”
As participantes vão realizar cursos de panificação ou de manicure/pedicure, com conteúdos voltados à qualificação profissional e ao empreendedorismo. Na área de panificação, por exemplo, a formação envolve técnicas de produção, boas práticas de higiene e segurança alimentar e organização do trabalho.
A ideia é que os conhecimentos adquiridos possam ser utilizados tanto para a inserção no mercado de trabalho quanto para a criação de pequenos negócios, permitindo às participantes produzir e comercializar seus próprios produtos e contribuir para a renda familiar. O programa também prevê mentorias de empreendedorismo, orientação para formalização, questões tributárias e financeiras, além de um banco de oportunidades e um marketplace solidário.
O CEO do CIEE, Lucas Baldisserotto, ressaltou que o programa foi estruturado a partir da identificação de uma realidade que afeta diretamente essas famílias: a sobrecarga das mães, que muitas vezes precisam deixar ou reduzir suas atividades profissionais para se dedicar aos filhos. Segundo ele, a proposta é oferecer não apenas capacitação, mas condições para que essas mulheres possam efetivamente transformar o aprendizado em oportunidades de trabalho e renda.
Um dos diferenciais do programa é que as mães poderão participar das atividades enquanto os filhos permanecem em um espaço preparado para recebê-los. O ambiente conta com recursos sensoriais, brinquedos e monitores especializados, permitindo que as mulheres tenham segurança para se dedicar às aulas.
O programa também disponibiliza atendimento multidisciplinar, incluindo psicologia infantil e adulta, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, assistência social e neuropediatria, além de psiquiatria adulta conforme a necessidade terapêutica. A previsão é de até 600 consultas mensais, sendo 225 de psicologia infantil, 110 de fonoaudiologia, 100 de terapia ocupacional, 50 de nutrição, 100 de psicologia adulta e 20 atendimentos por demanda.
Para famílias que não tenham estrutura para realizar atendimentos de forma remota, o programa prevê ainda a possibilidade de agendamento presencial nos dias dos cursos.
O projeto encabeçado pelo CIEE reúne empresas e instituições das áreas de saúde, tecnologia, qualificação profissional e empreendedorismo. Entre os parceiros apresentados durante o lançamento estão o Grupo DOC, a True, a Excelência Saúde e a Le Pan de la Vie.
O fundador do Grupo DOC, José Floriani, destacou a importância de integrar o atendimento das mães e das crianças. Para ele, muitas mulheres não conseguem buscar oportunidades profissionais justamente porque não têm com quem deixar os filhos ou porque precisam lidar sozinhas com as demandas de saúde e desenvolvimento das crianças.
A diretora da Excelência Saúde, Daniela Guilloux, também reforçou a importância de oferecer segurança e atendimento individualizado às crianças para que as mães possam participar das atividades com tranquilidade.
A CEO da Le Pan de la Vie, Camila Miranda, ressaltou o papel da qualificação e do empreendedorismo como ferramentas de autonomia e dignidade para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Durante o lançamento, a mãe de Christopher, de oito anos, diagnosticado com autismo aos três anos, Lorena Rodrigues, representou as participantes do programa. Em seu depoimento, emocionada, falou sobre a importância de finalmente encontrar uma oportunidade voltada também às mães: “Toda mãe quer dar o melhor para o seu filho. Eu estou muito feliz por poder estar aqui e por ter a oportunidade de um dia me tornar uma grande empreendedora.”
Para Tanise Sabino, a fala representa justamente o propósito central da iniciativa: transformar apoio em oportunidade concreta. “Não queremos apenas oferecer um curso. Queremos abrir caminhos. Queremos que essas mulheres possam enxergar possibilidades para a própria vida, para a sua renda e para o futuro de suas famílias. Quando uma mãe volta a acreditar que pode trabalhar, empreender e construir sua autonomia, toda a família ganha.”
A expectativa é que o Programa Mães Atípicas contribua para o aumento da renda familiar, a autonomia financeira e a inclusão produtiva das participantes, ao mesmo tempo em que fortalece a saúde mental, os vínculos familiares, a inclusão social e o desenvolvimento das crianças. “Os principais atores desse projeto são as mães e seus filhos. É por eles que estamos fazendo isso”, destacou Baldisserotto durante a apresentação.


