Foi realizada no Brique da Redenção na manhã deste domingo, 13 de setembro, a 6ª Caminhada do Setembro Amarelo que reuniu autoridades, profissionais da saúde, entidades e integrantes da comunidade para chamar a atenção para a prevenção ao suicídio e à automutilação. A iniciativa é encabeçada, desde a primeira edição, pela vereadora Psicóloga Tanise Sabino, que também preside a Frente Parlamentar de Prevenção ao Suicídio e Automutilação da Câmara Municipal de Porto Alegre.
Antes do início da caminhada, os participantes se concentraram junto ao Monumento ao Expedicionário, onde representantes das instituições presentes destacaram a importância de ampliar o debate sobre saúde mental e fortalecer as políticas de prevenção.
Para a vereadora Psicóloga Tanise Sabino, a caminhada representa um chamado coletivo para que a prevenção ao suicídio seja tratada como uma responsabilidade permanente. “Precisamos falar sobre saúde mental antes que o sofrimento chegue ao limite. Prevenção é informação, é escuta, é acesso ao cuidado e é a presença de uma rede preparada para acolher quem precisa. Essa caminhada é uma forma de dizer que nenhuma pessoa deve enfrentar a dor sozinha”, afirmou.
Representando a Prefeitura de Porto Alegre, o secretário municipal da Saúde, Fernando Ritter, ressaltou que a campanha precisa ir além da discussão sobre o suicídio. Para ele, é necessário falar também sobre saúde mental, relações saudáveis e sobre os fatores que adoecem a população. “Mais do que falar sobre suicídio, precisamos falar sobre saúde mental, sobre relações saudáveis e sobre aquilo que está fazendo as pessoas adoecerem”, afirmou.
O médico Gerson Junqueira, presidente da AMRIGS lembrou que o Rio Grande do Sul apresenta índices elevados de suicídio, agravados nos últimos anos por diferentes fatores, entre eles os efeitos da pandemia e dos eventos climáticos de 2024. Ele defendeu a ampliação do acesso à saúde mental e das políticas públicas de prevenção. “O Setembro Amarelo é um momento de conscientização, de alerta para os sinais e de busca constante por políticas públicas e acesso à saúde mental”, afirmou, parabenizando Tanise pela iniciativa.
Representando o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o médico psiquiatra Ricardo Nogueira chamou atenção para o crescimento dos casos entre crianças e adolescentes e defendeu que a prevenção seja uma responsabilidade compartilhada. “Essa luta é de todos nós”, destacou. Para ele, é preciso ampliar o acesso da população a locais e profissionais preparados para acolher quem está em sofrimento, além de aprender com experiências que já apresentam resultados positivos em outras cidades.
A importância do trabalho desenvolvido pelas comunidades terapêuticas e grupos de apoio também foi ressaltada por Sandro Cyntrão, que preside a associação estadual de graduados Resgatando Sonhos. Ele agradeceu a atuação de Tanise na pauta da saúde mental e do Setembro Amarelo. “A Tanise e o Elizandro Sabino são parceiros das comunidades terapêuticas e dos grupos de apoio”, afirmou, destacando a importância de manter esse apoio diante do crescimento do problema do suicídio.
A representante do Grupo Vozes e da Associação Brasileiras de Sobreviventes Enlutados por Suicídio (ABRASES), a psicóloga Gabriela Geheln destacou que levar a discussão para as ruas permite alcançar pessoas que talvez não tenham contato com o tema em outros espaços. O grupo atua na prevenção do suicídio e no acolhimento de pessoas enlutadas por suicídio. “Estar aqui traz esse tema para o espaço público e dá a oportunidade de que pessoas que estão em sofrimento possam se identificar e se aproximar”, afirmou.
Para Tanise Sabino, a caminhada deste ano teve também um significado pessoal. Em abril de 2026, a equipe da vereadora perdeu para o suicídio um de seus assessores. A lembrança reforçou o compromisso da parlamentar com a prevenção e fez com que a mobilização fosse dedicada às famílias que perderam pessoas para o suicídio, com uma atenção especial à família Garcia neste ano. “Essa caminhada é por todas as famílias que perderam alguém para o suicídio. E este ano, de uma forma muito especial, pela família Garcia. É isso que nos motiva a trabalhar todos os dias pela prevenção”, afirmou Tanise.
A vereadora reforçou ainda que o Setembro Amarelo não pode se restringir a uma campanha de calendário. A prevenção precisa estar presente no cotidiano da cidade, nas políticas públicas e na capacidade de identificar precocemente sinais de sofrimento.
Durante a mobilização, Tanise destacou os investimentos do município na área de saúde mental e a ampliação da rede de atendimento, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além da perspectiva de novos serviços voltados ao público infantil. Segundo a parlamentar a atenção aos sinais de sofrimento precisa começar antes que uma pessoa chegue a pensar em suicídio, com escuta e equipes multidisciplinares atuando na saúde, nas escolas e junto às famílias.


