A Vereadora Psicóloga Tanise Sabino participou como painelista do Seminário de Enfrentamento ao Feminicídio e à Violência contra a Mulher, promovido pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS). Realizado na noite do dia 26 de maio, o evento reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir estratégias de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero, abordando seus reflexos na saúde, na segurança pública e nos direitos humanos.
Integrando o painel “Os impactos na saúde mental e como a sociedade pode ajudar”, Tanise dividiu o debate com o médico psiquiatra Dr. Nélio Tombini e a psicóloga Débora Coelho. Em sua apresentação, a parlamentar abordou os efeitos psicológicos da violência contra a mulher e destacou que o feminicídio é o desfecho de um processo que geralmente começa muito antes da agressão física. “A violência contra a mulher não é um evento isolado e não começa com a agressão física. Ela se instala de forma silenciosa por meio do controle, da humilhação, do isolamento e do medo. Antes de muitas mulheres serem vítimas fatais, elas já foram vítimas emocionais por muito tempo”, afirmou.
Ao longo de sua exposição, Tanise explicou como a violência psicológica compromete a autoestima, altera a percepção de risco e enfraquece os vínculos sociais da vítima, dificultando a ruptura do ciclo de violência. Também ressaltou que os impactos ultrapassam a esfera emocional, afetando o sono, o trabalho, os relacionamentos e a saúde física das mulheres. “A violência deixa marcas que nem sempre são visíveis. Ela atravessa a vida da mulher, produzindo ansiedade, depressão, transtornos do sono, estresse pós-traumático e outras consequências que podem acompanhá-la por muitos anos”, observou.
A vereadora também chamou atenção para os efeitos da violência doméstica sobre crianças e adolescentes que convivem com essas situações dentro de casa. Segundo ela, além do sofrimento imediato, a exposição contínua à violência aumenta os riscos de transtornos mentais e contribui para a perpetuação desse ciclo entre gerações.
Durante o debate, Tanise reforçou a necessidade de ampliar o olhar da sociedade para os sinais que antecedem os casos mais graves. “Nenhuma mulher chega ao feminicídio sozinha. Sempre há sinais. O problema é que muitas vezes eles são ignorados, naturalizados ou silenciados. Precisamos romper essa cultura da omissão”, destacou.
A psicóloga também defendeu uma atuação integrada entre profissionais de saúde, famílias, comunidade, poder público e sociedade civil. “Violência doméstica não é um problema privado. É uma questão de saúde pública, de direitos humanos e de responsabilidade coletiva. O enfrentamento exige informação, acolhimento, políticas públicas e uma rede de proteção capaz de agir antes que a violência alcance consequências irreversíveis”, afirmou.


